O Zumbidor
04 Maio 2012
Audrey Hepburn: A fair and a good lady, she was!
Neste dia de Maio, de cujo ano não quero lembrar-me, nascia Audrey Hepburn, the fairest lady que Hollywood nos podia ter dado a conhecer. Façam-lhe uma homenagem - e um favor a vós próprios - vendo um dos mais de vinte filmes em que ela participou. Poucos foram os que não mereceram nomeações para atribuição de prémios ligados à 7ª arte, e muitos foram, também, os que ela recebeu ao longo da carreira: 1 Óscar, 3 BAFTA, 1 Emmy, 3 Golden Globe, 1 Grammy, 1 SAG, 2 Tony.
Dos filmes facilmente disponíveis no nosso mercado posso-vos sugerir o incontornável - poucos não serão incontornáveis - My Fair Lady, Breakfast at Tiffany's ("Boneca de luxo"), o fracturante - como agora se diz - e pouco conhecido Infame Mentira, Funny Face ("Cinderela em Paris"), Sabrina, Guerra e Paz, História de uma Freira ou ainda o seu mais querido filme - nas suas próprias palavras -, também o primeiro que rodaria em Hollywood, que não só a lançaria para o estrelato como lhe daria o Óscar para melhor actriz principal: Férias em Roma. Conta-se que Gregory Peck, o seu par nesse filme, após a rodagem terá sugerido à produção que colocassem o nome da novata no topo dos cartazes, a par do seu, por cima do título, porque tinha o pressentimento - terá afirmado - que ela iria ganhar o Óscar desse ano para a melhor actriz principal. Peck, conforme regista a história, estava coberto de razão.
Para o filme Breakfast at Tiffany's o compositor Henry Mancini - talvez mais famoso por ser o criador do tema da Pantera Cor de Rosa - comporia para Audrey o tema Moon River - muitos defendem que apesar das sucessivas interpretações a sua continua a ser a melhor.
Quando em 1990 lhe foi atribuído o Globo de Ouro "Cecil B. DeMille" - prémio de excelência atribuído pela Associação de Imprensa Americana pelo contributo dada ao mundo do entretenimento -, Audrey fez questão de lembrar o nome de quase todos os cineastas e actores com quem trabalhou.
Como figura pública o seu papel mais notável viria, porém, a ser interpretado longe das telas, como Embaixadora de Boa Vontade da UNICEF, papel que interpretou com total entrega desde a década de 50 até ao fim dos seus dias, em 1993.
Em 1992, em reconhecimento pelo seu trabalho na UNICEF, foi-lhe atribuída a "Presidential Medal of Freedom", a mais alta condecoração civil atribuída pelo Presidente dos EUA - comparável em prestigio à Medalha de Ouro do Congresso.
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03 Maio 2012
Mossad, Os Carrascos do Kidon
"Mossad, Os Carrascos do Kidon", de Eric Frattini. Um livro empolgante, de leitura tão compulsiva como os livros de Dan Brown, com a diferença de que o que aqui nos é dado a ler são relatos reais de algumas das operações levadas a cabo pelo Kidon, um grupo de élite dos Serviços de Inteligência de Israel (a Mossad), cujo principal e exclusivo objectivo é a execução sumária por qualquer meio, mas jamais assumida, de todos aqueles que de alguma forma possam ser uma ameaça à segurança do Estado de Israel.
Neste livro é-nos relatado, entre outras, a operação da captura de Eichmann (o único objectivo capturado vivo e enviado para Israel para ser julgado e executado); a operação montada para executar todos aqueles que estiveram envolvidos no assassinato da equipa olímpica em Munique, o grupo Setembro Negro; o desenrolar da operação de resgate no Aeroporto de Entebbe; a execução de cientistas envolvidos no projecto de desenvolvimento de energia nuclear do Irão; a execução dos lideres da intinfada e dos responsáveis pela elaboração dos explosivos usados pelos bombista suicidas palestinianos; a operação de execução do magnata da imprensa Robert Maxwell; etc.
Segundo nos conta o autor, este terá dado a ler o livro a vários agentes da Mossad a fim de recolher as suas opiniões, um deles ter-lhe-à dito que 75% correspondia à verdade, 20% seria lenda e 5% ficção.
O livro é o resultado de cerca de 10 anos de investigação documental e de testemunhos de diversos agentes de informação.
O livro em Portugal é editado pela Bertrand.
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18 Março 2012
As artes marciais na Europa Medievel e Renascentista e no Extremo Oriente: Difusão ou Paralelismo
Num texto publicado anteriormente fizemos referência a um conjunto de ilustrações feitas entre o final da Idade Média e o Séc. XVI (cf. aqui) que nos lembram algumas das técnicas aplicadas no aikido. Obviamente que não é de todo correcto afirmarmos que já se praticava aikido nesta época, pois, como é do conhecimento geral, as técnicas ensinadas e utilizadas no aikido só vieram a ser fixadas nos inícios do século XX por Morihei Ueshiba (1883 - 1969), o criador do Aikido, após uma depuração feita a partir de técnicas utilizadas por outras artes marciais japonesas tais como o Judo, o Jujutsu e o Kendo. Quanto muito poderemos falar de técnicas semelhantes às utilizadas pelo aikido, faltando-lhe, obviamente, toda a carga filosófica e mística imposta por Ueshiba, além de alguma outra especificidade na execução das técnicas, impossíveis de comparar com as referidas ilustrações.
Quanto às semelhanças das técnicas, à mecânica dos movimentos, também não é necessário que se veja nessas semelhanças algo de extraordinário. Na área da Antropologia Cultural existem teorias científicas que podem perfeitamente explicar essas coincidências. Uma dessas teorias é defendida pela escola dita "difusionista". Defende essa escola que através do que designa "Centros motores" - que poderá ser uma instituição, uma cidade, uma região, um país - um dado conhecimento pode chegar a áreas mais vastas e distantes através daquilo que é designado de "difusão".
A Índia, é actualmente ponto pacifico entre muitos investigadores, funcionou como um entreposto, uma plataforma giratória, recebendo e difundindo aquilo que são hoje as artes marciais, e não só as do extremo oriente.
A arqueologia prova-nos que já se praticavam artes marciais na Índia há pelo menos 5.000 anos. Outras provas demonstram, também, que o antigo império romano mantinha relações comerciais com a India há mais de 2.000 anos e que terá levado para a Índia as técnicas de luta.
As técnicas e os golpes do "pancrácio", arte marcial da Grécia clássica, confundir-se-íam hoje com o moderno MMA (Mix Martial Arts), uma mistura de técnicas de combate onde predominam as do boxe, do ju-jutsu e as do muay-thai.
As artes marciais terão chegado ao Japão a partir da Índia, passando pela China e pela Coreia. A este propósito poderá ter algum interesse referir o caso da palavra "karate". Por norma, esta palavra traduz-se por "mão vazia", traduzindo-se "kara" por vazio e "te" por mão. Porém existe uma outra interpretação para o kanji "kara" tal como se escrevia na dinastia Tang, neste período o kanji de "kara" podia-se traduzir por "chinês". Neste contexto, a palavra "karate" significaria "mão chinesa", donde, poderíamos concluir que o karate japonês não seria mais do que uma arte marcial de origem chinesa.
Voltando de novo às explicações teóricas, uma outra escola, a do "paralelismo", admite que dois povos afastados no espaço, sem contacto entre si, mas a viverem idênticas realidades poderão chegar a uma mesma solução para um dado problema. De certo modo, e tal como comentou o professsor Manuel Galrinho, 6º Dan de Aikido e director técnico da escola Deaikai - Associação de Aikido do Sul, num comentário a respeito deste mesmo assunto, mas num outro foro, não há muitas maneiras de agarrar num braço ou num pulso de um individuo. Mais tarde ou mais cedo todos acabarão por chegar à conclusão que a melhor maneira de realizar uma dada tarefa é "daquela" maneira e não de outra. A imagem que ilustra o início deste texto poderá ser um bom exemplo dessa tese.
Bibliografia:
"Introdução à Antropologia Cultural", Augusto Mesquitela Lima, Benito Martinez e João Lopes Filho, Ed. Presença, Lisboa, Portugal
"Karatê-do: O meu modo de vida", Gichin Funakoshi (trad. Euclides Luiz Calloni), Ed. Cultrix, S. Paulo, Brasil
Texto original publicado no Blog: O Caminho da Harmonia
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12 Fevereiro 2012
One moment in time
Calou-se uma das minhas vozes mais queridas, Whitney Houston.
It was a little moment in time but enough to we will always love you.
It was a little moment in time but enough to we will always love you.
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09 Fevereiro 2012
Angola recusa Acordo Ortográfico
Depois da Faculdade de Letras de Lisboa e do CCB é agora a imprensa angolana, através de um editorial do jornal estatal "O Jornal de Angola", mandar o acordo ortográfico às urtigas.
Ao contrário do que alguns pretendiam fazer crer só os governos de Portugal e do Brasil assinaram o acordo, e não sem razão.
Depois de ler o documento publicado pelo Ministério de Educação sobre a harmonização das regras de escrita "em todo o espaço da CPLP" - afirma-se, falsamente, no documento - (cf. aqui) e tendo em conta que uns dos objectivos deste acordo era simplificar a escrita, o que não irá acontecer com a aplicação das novas normas do acordo, antes pelo contrário, três palavras me ocorreram: Deixem-se de merdas.
Segue abaixo a transcrição na integra do editorial d'O Jornal de Angola
"Património em Risco
8 de Fevereiro de 2012
Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante. Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa. Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito “Vamos Descobrir Angola”, deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades. Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado. Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português. Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário! Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras."
(cf. aqui o artigo original)
01 Fevereiro 2012
La Gioconda (Mona Lisa), cópia descoberta no Prado
Foi descoberta nas reservas do Museu do Prado a cópia mais antiga de La Gioconda (Mona Lisa), de Leonardo Da Vinci. A cópia é atribuída a Gian Giacomo Caprotti da Oreno, também conhecido por Andrea Salai (um dos amantes de Leonardo, segundo algumas teses) ou a Francesco Melzi, ambos alunos de Da Vinci.
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| Versão original |
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| Cópia descoberta |
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| Pormenor da cópia descoberta após restauro |
Mais pormenores da noticia aqui.
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17 Dezembro 2011
Cesária Évora (1941-2011)
Sodade
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